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Consultar livros antigos portugueses online: o catálogo AlmaMater

Onze coleções e mais de 38 mil itens digitalizados fazem do Alma Mater uma das portas de entrada mais úteis para o livro antigo português. Saiba o que lá está, como refinar a pesquisa e quando procurar noutro lado.

Redação do Fólio Aberto
A Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa.
A Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa. Fotografia de SEgt-WMF / Wikimedia Commons

Para consultar livros antigos portugueses sem sair de casa, um dos pontos de entrada mais úteis é o catálogo Alma Mater, a biblioteca digital do fundo antigo da Universidade de Coimbra. Reúne coleções de edições digitalizadas — sobretudo de perfil universitário e científico — pesquisáveis e consultáveis em linha, a partir do navegador. Este guia mostra o que lá está, como pesquisar e quando procurar noutro lugar.

O que é exatamente o Alma Mater?

É o sítio em linha da Biblioteca de Fundo Antigo da Universidade de Coimbra, a reserva de edições antigas e de valor patrimonial da instituição. A página de entrada apresenta 11 coleções digitais que somam 38 213 itens, acompanhadas por contadores públicos de utilização: 12 196 226 visualizações, 11 424 435 descarregamentos e 4 689 749 pesquisas, à data da redação deste artigo.

Entre as coleções contam-se:

  • Biblioteca Geral Digital;
  • Bibliotecas digitais da Faculdade de Letras e da Faculdade de Direito;
  • Biblioteca Digital de Botânica;
  • História da Ciência na UC;
  • Rómulo Digital e República Digital;
  • 500 Anos | 500 Obras;
  • Mapas Nabais Conde;
  • Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra;
  • Magnetogramas Adie.

Que livros se encontram no fundo antigo?

Na vista dedicada ao livro, o catálogo mostra 526 itens assinalados como «Livro Moderno» — a etiqueta da plataforma para os impressos. As coleções mais representadas nessa vista são a Biblioteca Geral (367 itens), a História da Ciência (362) e a Botânica (99), seguidas de 500 Anos da Biblioteca (20) e da Faculdade de Letras (14). As facetas laterais completam o retrato:

  • Línguas: 421 itens em português, 61 em latim, 19 em francês e 7 em inglês;
  • Locais de publicação: Coimbra domina com 316 registos, seguida de Lisboa (63); surgem ainda «Conimbricae» — o nome latino de Coimbra nas edições antigas — com 39, e Paris com 14;
  • Datas: a massa do fundo concentra-se entre o século XIX e o início do século XX, com blocos de 1812–1827, 1864–1869, 1890–1894, 1902–1909 e 1910–1915;
  • Assuntos frequentes: Portugal, Universidade de Coimbra, flora, dissertações académicas e Angola.

Os autores mais representados pertencem à ciência coimbrã: Júlio Augusto Henriques (21 itens), João Lopes de Morais (17), Rodrigo Ribeiro de Sousa Pinto (15) e Luís Wittnich Carrisso (12). Nas listas de títulos cruzam-se dissertações de medicina e farmácia, tratados de matemática e obras de botânica com peças de outra natureza: o poema D. Branca ou a conquista do Algarve, de Almeida Garrett (1824), um Atlas celeste de Flamsteed (1804), os Coloquios dos simples e drogas da India, de Garcia de Orta (1891–1895), a dissertação de licenciatura em medicina de Egas Moniz (1900) e registos mais antigos de data incerta, como um Cauallero Peregrino possivelmente seiscentista.

A leitura correta deste perfil é simples: o Alma Mater não é uma biblioteca geral de literatura antiga. É o espelho digital de um fundo universitário — forte em ciência, medicina, botânica e vida académica, com raridades literárias pelo meio.

Como refinar a pesquisa sem se perder?

A caixa de pesquisa aceita termos livres e existe uma pesquisa avançada para cruzar campos. Depois de lançada a pesquisa, o painel «Refinar a pesquisa» permite estreitar os resultados por coleção digital, tipo de documento, autor, data, local de publicação, assunto e idioma. Os resultados veem-se em grelha, lista ou galeria, ordenam-se por título ou data e apresentam-se em páginas de 50, 100 ou 250 registos.

Três hábitos poupam tempo num catálogo de edições antigas:

  • Pesquise também na grafia antiga. Muitos títulos anteriores ao século XX usam formas como pharmacia, theoria ou botanica; pesquisar apenas na grafia atual pode esconder registos.
  • Use os nomes latinos de lugar. «Conimbricae» devolve edições impressas em Coimbra que não aparecem sob o nome moderno.
  • Cruze autor e data. Para autores com muitas obras, como Júlio Augusto Henriques, o filtro de datas isola a época que interessa.

Para que serve um catálogo de fundo antigo?

Para o leitor comum, três utilidades sobressaem. Primeiro, ver o livro como saiu da oficina: as páginas digitalizadas conservam frontispícios, dedicatórias e notas de impressão que as reedições modernas apagam. Segundo, verificar edições: perante um exemplar antigo em casa ou num alfarrabista, a ficha do catálogo ajuda a comparar data, local e autor. Terceiro, trabalhar com fontes primárias: estudantes e curiosos de história encontram dissertações, relatórios e monografias que raramente foram reeditados.

Os contadores do sítio — milhões de visualizações e de descarregamentos — sugerem que o uso vai muito além do círculo académico. E é um recurso de porta aberta: consulta-se a partir de qualquer navegador, sem deslocação a Coimbra.

Quando o livro que procura não está lá?

O Alma Mater cobre um fundo específico: o da Universidade de Coimbra. Um romance popular do século XIX, um folheto regional ou um jornal de província podem simplesmente não constar. O caminho passa por alargar a pesquisa a outros catálogos — a começar pela biblioteca pública e pelos seus livros digitais (ver o nosso guia sobre como ler livros digitais da biblioteca pública). Para publicações periódicas antigas — jornais e revistas — a pista certa é a Hemeroteca Digital portuguesa, dedicada a periódicos digitalizados.

Há ainda um limite que nenhum catálogo em linha remove: quando o exemplar existe mas não está digitalizado, só a consulta presencial o devolve. Nesse caso a ficha serve de preparação: anote autor, título completo, data e cota — o código que localiza o livro na estante — antes de o pedir à biblioteca que o guarda. Sobre o papel complementar das duas bibliotecas do quotidiano, leia biblioteca pública e biblioteca de casa.

Se quiser estrear-se já, abra o catálogo e escreva um assunto que lhe diga alguma coisa — botânica, medicina, o nome da sua terra. Refine por língua e data até restarem poucos resultados, abra a ficha de um exemplar e guarde-a nos favoritos. Em dez minutos terá percorrido o fundo antigo de uma universidade com séculos — e saberá onde voltar quando precisar de um livro antigo português.

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Atualizado em .

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