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Como escolher o próximo livro a ler

Não há uma lista obrigatória que escolha por si — mas há um método curto: perceber o que lhe apetece ler, cruzar essa vontade com os filtros do Catálogo do Plano Nacional de Leitura e guardar memória do que já se leu.

Redação do Fólio Aberto
Mão retira um livro de uma estante cheia numa biblioteca.
Mão retira um livro de uma estante cheia numa biblioteca. Ilustração editorial gerada para a revista.

Não há uma lista certa que escolha por si — há um método curto, e cabe em três passos: perceber o que lhe apetece ler agora, cruzar essa vontade com uma fonte pública de recomendações e registar a escolha para facilitar a próxima. A fonte que usamos neste artigo é o Catálogo do Plano Nacional de Leitura (PNL), que reúne os livros recomendados pelo programa e os deixa filtrar por idade, nível de leitura, tema, formato e língua.

O que lhe apetece ler agora?

A pergunta parece óbvia e é a mais importante. Antes de abrir qualquer catálogo, vale a pena responder por escrito a três coisas:

  • Quanto tempo e energia tem esta semana — um livro curto para os transportes ou um volume comprido para os dias de folga?
  • Que leitura lhe apetece — aprender algo novo, perder-se numa história, voltar a um território conhecido?
  • O que ficou do último livro — vontade de continuar o mesmo caminho ou de sair dele?

É conselho desta revista, não regra de nenhum organismo: nomear a vontade antes de pesquisar evita que o catálogo decida no seu lugar. Quem procura «qualquer coisa» encontra sempre demasiado; quem procura «uma biografia curta» ou «poesia para ler devagar» já fez metade da escolha.

O Catálogo PNL filtra por idade, tema e nível

O Catálogo PNL é a base em linha onde o Plano Nacional de Leitura reúne os livros que recomenda, e a pesquisa foi pensada para ser refinada: aceita critérios de limitação por faixa etária — de 0-2 anos a maiores de 18 —, nível de leitura (pré-leitura, inicial, médio ou avançado), tema, formato, língua e semestre em que o título foi recomendado. Os temas cobrem Arte, Banda Desenhada, Biografia, Ciência e Tecnologia, Cultura e Sociedade, Ensaio, Literatura, Poesia e Vida Prática; entre os formatos contam-se o livro-álbum e o livro digital, e as línguas vão do português, inglês, francês e espanhol ao mirandês e ao crioulo de base portuguesa. Quem já sabe o que procura pode pesquisar diretamente por palavras no título, no autor, no assunto, na coleção ou no editor, ou ainda por código ISBN.

Como reduzir uma lista longa a três títulos?

Uma lista de recomendações comprida não resolve a escolha — adia-a. O truque é cortar cedo:

  • Combine apenas dois ou três filtros de cada vez; idade mais tema, ou tema mais nível de leitura, já produzem uma seleção que se lê de uma assentada.
  • Use a função «A minha lista de livros» do próprio catálogo: permite ir guardando os resultados que interessam e exportar a lista em XLS ou em PDF.
  • Se preferir partir de uma seleção já feita, o PNL publica listas de livros recomendados por semestre — a página do catálogo liga, entre outras, às de 2024 e de 2025 — e mantém roteiros como o Calendário de Leitura ou as 100 Leituras para o Verão.

Da lista curta, o passo seguinte é físico: ver o livro. Folhear vinte páginas na biblioteca ou na livraria diz mais sobre o encontro do que qualquer sinopse — conselho editorial, outra vez, mas dos que se verificam em cinco minutos.

E quando quem escolhe é uma criança?

Nas recomendações às famílias que acompanham o seu Diário de Leituras, o PNL é claro: deixe a criança escolher o livro que quer ouvir, porque importa que ouça ler com prazer, e procure livros que a possam interessar ou entusiasmar. O mesmo documento sugere reservar momentos de pausa e convívio para a leitura, sem distrações — a hora de deitar é apontada como momento privilegiado — e não insistir quando a criança recusa a história proposta. Para essas leituras partilhadas ao fim do dia, temos um guia próprio sobre ler em voz alta em casa.

A memória das leituras melhora a escolha seguinte

O Diário de Leituras do PNL é também um modelo de registo: uma grelha organizada por semanas, com a data, o título do livro, o tempo de leitura por dia e quem leu — mãe, pai, avós, irmãos. A versão adulta deste caderno faz o mesmo trabalho silencioso: ao fim de alguns meses, mostra que autores voltam, que temas ficam a meio, que formatos acompanham melhor os seus dias — e a escolha seguinte deixa de ser um salto no escuro. Sobre essa prática escrevemos em O caderno de leitura.

Antes de comprar ou requisitar o que quer que seja, experimente o circuito completo esta semana: abra o catálogo, limite a pesquisa a dois filtros apenas — a sua faixa etária e um tema —, guarde três títulos na lista e exporte-a em PDF. Leve esse papel consigo à biblioteca ou à livraria e escolha dentro dele: é mais fácil acertar num perímetro de três do que numa prateleira inteira.

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